segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Feliz Natal e Próspero Ano Novo/Merry Christmas and a Happy New Hear




É com alegria que realizamos este ano os nossos quatro encontros anuais, debatendo o livro "Deusas, os mistérios do divino feminino", de Joseph Campbell.

Em 1o. de abril tivemos a oportunidade de ouvir Leda Maria Pirillo Seixas, professora do curso de Psicologia da Faculdade de Ciências da Saúde (PUC-SP), que nos lembrou que abordar as noções de masculino e feminino em nossa sociedade continua sendo tarefa complexa.  Clique ali para ler o texto

Em 17 de junho, conhecemos o trabalho sobre patriarcado, matriarcado e alteridade da psiterapeuta Ana Maria Galrão Rios (PUC-SP), que nos encantou com seus estudos sobre o feminino por meio da representação da imagem divina nos desenhos infantis. Clique aqui para ler o texto. 

Em 19 de agosto de 2017, aprendemos com Maria Cristina Mariante Guarnieri (Ijep) que as imagens arquetípicas podem ser compreendidas como retalhos de uma mesma colcha, a do inconsciente coletivo, e que os mitos são as bases de nossa estrutura psíquica.  Clique aqui para ler o texto. 


Finalmente, em 25 de outubro, ouvimos Robert Walter, presidente da Fundação Joseph Campbell, dos Estados Unidos, que nos fez entender melhor o trabalho das roundtables no contexto da JCF. "Como os cavaleiros da távola redonda, vamos em direção aos desafios cotidianos e é bom ter um local para retornarmos e contarmos nossas aventuras", disse ele, referindo-se à importância da rede de roundtables à que a da Granja Viana está conectada. Clique aqui para ler o texto


Depois de um ano tão rico, chega o momento agora de pararmos para celebrar uma das mais importantes tradições do mundo cristão, o Natal, ou das festas de final de ano para quem não segue esta tradição, e, assim, recarregar as baterias para 2018. 

Que ele seja de muita bliss e bless para todos!

Com um abraço forte e até 2018!


Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Núcleo da Granja Viana-SP (Brasil)*
http://fundacaojosephcampbell.blogspot.com
https://www.facebook.com/groups/177343475613567

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Relato do encontro especial de primavera de 2017, com Robert Walter





Pondo-se no encalço da sua bem aventurança, você se coloca numa espécie de trilha que esteve aí o tempo todo, à sua espera, e a vida que você tem que viver é essa mesma que você está vivendo. Quando consegue ver isso, você começa a encontrar pessoas que estão no campo da sua bem aventurança, e elas abrem as portas para você. Eu costumo dizer: Persiga a sua bem-aventurança e não tenha medo, que as portas se abrirão, lá onde você não sabia que havia portas.” Joseph Campbell



O quarto encontro do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell contou, pela primeira vez, com a participação de Robert Walter, presidente da Fundação Joseph Campbell. A JCF foi fundada em 1990, em parceria com a viúva de Campbell, Jean Erdman, com o objetivo de preservar e divulgar os trabalhos do mitólogo estadunidense.
Os encontros costumam acontecer aos sábados na Igreja Santo Antônio em Cotia-SP, porém esse se realizou em uma data especial: a quarta feira, dia 25 de outubro, às 19 horas, por conta da disponibilidade de agenda de Walter.
Há quase 40 anos envolvido com a Fundação Joseph Campbell, Walter arranjou espaço em sua concorrida agenda no país para compartilhar com os presentes sua experiência como presidente da Fundação, assim como suas vivências ao lado de um dos maiores mitólogos do século XX.
A Fundação possui como proposta manter a visão mítica de Campbell viva por meio de publicações de livros, obras digitais, aulas em áudio e várias outras produções em vídeos. Por meio de uma comunidade global de artistas, acadêmicos, escritores e especialistas, a JCF organiza conferências e workshops em várias instituições. Atualmente conta com mais de 50 grupos de estudo em todo mundo vinculados ao Foundation’s Mythological RoundTable® Program, do qual o Núcleo Granja Viana é integrante como uma mesa redonda certificada.
Sobre os grupos espalhados pelo mundo, Robert compartilha que foi um longo processo de adaptação, com uma série de desafios. Ele aponta que ter acesso a esses grupos locais foi importante, pois cada grupo possui suas especificidades míticas, bem como suas peculiariedades. Para gerenciar esses grupos ele buscou usar como modelo as mesas redondas medievais, onde os cavaleiros conversavam, saiam para suas aventuras e retornavam para compartilhá-las. A partir dessa concepção, foi em 1995/1996 que o Programa das Roundtable se iniciou, juntamente com o website.
Segundo o presidente da Fundação, foi perceptível, inicialmente, que as Roundtable eram muito dinâmicas em nível local, mas que não havia muito a ser compartilhado com as outras Roundtables, mesmo as do mesmo país. Ainda assim, a intenção da Fundação nunca foi a de ditar qualquer regra que pudesse transformar as Roundtables em instituições com dogmas ou regras fechadas. A única recomendação feita a esses grupos foi a de que houvesse ao menos quatro encontros anuais, e que a data dos encontros e os conteúdos debatidos fossem disponibilizados no website oficial da Fundação para que outras pessoas pudessem acessá-los.  
Atualmente há oito Roundtables brasileiras, contudo parte da vinda de Walter foi dedicada a verificar, dentre os grupos existentes, quais estão ativos de fato. Em âmbito global seriam 71 Roundtables, porém ele explica que há muitos grupos não se vinculam à Fundação ou não divulgam os encontros.
Apesar de algumas dificuldades, atualmente a Fundação possui livros de Campbell publicados em 27 idiomas. O Brasil é o país com mais obras publicadas do mitólogo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Apesar do segundo lugar, Walter ressalta que existem muitos problemas em relação às edições, sobretudo quanto às traduções. Isso porque nem todas as editoras fazem como a Palas Athena e a Summus, respeitando os acordos feitos e providenciando traduções de qualidade.
A Fundação divulga e disponibiliza todo o material produzido por meio de suportes online como o Spotfy, Youtube e iTunes, possuindo ainda a página no Facebook  Joseph Campbell Foundation (https://www.facebook.com/JosephCampbellFoundation/) com mais de 230 mil seguidores e um grupo público, o Joseph Campbell Foundation Mytic Salon (https://www.facebook.com/groups/josephcampbell/) com mais de dez mil membros que fomentam diálogos constantes sobre os mitos e o pensamento de Campbell.
Robert se recorda que, quando o livro Herói de Mil Faces foi lançado em 1948 nos Estados Unidos, teve grande repercussão. Contudo, quando ele começou a trabalhar como editor de Campbell, há 40 anos, ninguém se interessava muito pelo trabalho desenvolvido pelo mitólogo. Contudo, quando George Lucas descobriu o Herói de Mil Faces e empregou a estrutura narrativa mítica para conceber o primeiro filme da série a Star Wars, lançada em 1977, o livro de Joseph Campbell foi catapultado à lista de mais vendidos do The New Yort Times. Hoje é considerado uma das cem obras mais influentes do mundo.
Tanto que, ao se assistir ao filme Batman x Super-homem é possível vizualizar na capa do super-herói a frase escrita em kryptoniano: “O Herói de Mil Faces”. Outra personagem que carrega o pensamento de Campbell é a Mulher Mravilha, que tem em sua espada uma frase do livro Deusas: Os Mistérios do Divino Feminino: “A vida está matando o tempo todo, então a deusa se mata em sacrifício aos próprios animais” (“Life is killing all the time and so the goddess kills herself in the sacrifice of her own animal”).
Para Walter, é uma grande benção ver essa repercussão a partir da obra de alguém que nunca teve interesse em fama ou dinheiro: “Campbell viveu sua vida toda em um pequeno apartamento, possuindo como único foco seu trabalho”. Ele cita o próprio Campbell: “Se você seguir sua bem aventurança as portas se abrirão para você”. Ainda assim, Walter lamenta que essa transformação tenha acontecido apenas após o falecimento do mitólogo.
Para Walter, o trabalho de Campbell tem se mostrado terreno fértil, pois pessoas ao redor do mundo se encontram para conversar sobre os temas desenvolvidos por ele. Suas ideias e seu trabalho dão suporte para a vida das pessoas e, para ele, esse é um presente extraordinário. “Eu mesmoacordo todas as manhãs sentindo-me muito abençoado pelo fato de as ideias de Campbell estarem presentes na cultura”.
O convidado chama a atenção para que em muitos lugares do mundo as pessoas já não estão mais conectadas com tradições religiosas. Por isso, segundo ele, precisamos sair pelo mundo vivendo nossas aventuras, mas é bom ter um lugar para retornarmos e contarmos nossas experiências. A ideia das Roundtables, portanto, é a de que cada indivíduo vá para a sua aventura, para a sua vida, e retorne depois de algum tempo, para que os integrantes possam, em conjunto, aprender uns com os outros. E assim possam transformar para melhor a comunidade ao seu redor.

Texto: Vanessa Heidemann











sexta-feira, 22 de setembro de 2017

25/10/2017: Encontro de Primavera com Bob Walter, presidente da Joseph Campbell Foundation



É com uma tremenda satisfação que convido para nosso quartoencontro de 2017, que será realizado na quarta-feira, 25/10, a partir das 19h. 

We are pleased to invite you to join our Spring Roundtable, which will be held on October 25, 2017, at 7pm. 

Nesta data, teremos o privilégio de receber o presidente da Fundação Joseph Campbell, Robert Walter. Em 1990, Walter fundou esta organização com Jean Erdman, viúva de Joseph Campbell. 

On this date, we will have the privilege of receiving Joseph Campbell Foundation President, Robert Walter. In 1990, Walter founded this organization with Jean Erdman, Joseph Campbell´s widow.

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

The event is free of charge, but we request the donation of one kilo of non-perishable food per participant to the parish.

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 21h. 

Also be welcome to bring fruits and other healthy food or juices to share in the community closing gathering, held at 21 p.m.


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Venue: Santo Antonio Parish (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 of the Raposo Tavares Highway, direction São Paulo> Cotia) Access by José Félix de Oliveira Street (Entrance by the office located on the side of the church, in front of Banco Bradesco). 

Abraços/Best

Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Granja Viana-SP (Brasil)*

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Relato do Encontro de Inverno de 2017: Deusas e deuses do panteão grego


“O deus que escolhemos reverenciar como deidade primária representa a escolha dos poderes que serão a base na nossa vida. Escolhemos um ou outro aspecto de nosso viver como possibilidade que representaremos dentro da realidade” (CAMPBELL, 2015, p.188).


No dia 19 de agosto de 2017 foi realizado o Encontro de Inverno do Núcleo Granja Viana-SP da Fundação Joseph Campbell. Também conhecido como Granja Viana-SP Roundtable®, a mesa redonda tem como proposta para este ano debater o mais recente livro lançado em português no Brasil do mitólogo estadunidense Joseph Campbell (1904- 1987): Deusas: o mistério do divino feminino (Editora Palas Athena).  

Costurando os retalhos do saber por meio da Mitologia, Filosofia e Psicologia Analítica, a palestrante convidada, Profa. Dra. Maria Cristina Mariante Guarnieri, guiou os participantes em uma jornada pelo conhecimento, abordando e ampliando as narrativas do capítulo 5: Deusas e deuses do panteão grego e do capítulo 6: Ilíada e Odisseia: o retorno à deusa.

Inicialmente Maria Cristina afirmou: “O panteão grego é o reflexo de nossa estrutura enquanto humanos, é como nossa psique se estrutura”. Assim, os arquétipos (deuses) adotados pelo indivíduo e/ou sociedade apontam para a estrutura da psique daquele que o adota. Os mitos são, como diz Campbell, como um sonho, só que um sonho coletivo, sonhado pela humanidade, que tem reflexos em cada indivíduo.

A professora relata que as imagens arquetípicas podem ser compreendidas como retalhos de uma mesma colcha, a do inconsciente coletivo. O que faz que o indivíduo haja desse ou daquele jeito. No fundo, a questão é: que deuses me movem? Qual é o sentido da minha existência? Segundo ela, a narrativa mítica responde a essas questões organizando e explicando o poder da Natureza, incluindo-se nela o próprio ser humano.

Deusa Ártemis
No capítulo 5: Deusas e deuses do panteão grego, Guarnieri destacou a seguinte passagem: “Originalmente a própria Ártemis era um cervo, e ela é a deusa que caça cervos. Os dois são aspectos duais do mesmo ser. A vida mata a vida o tempo todo, e também a deusa mata a si mesma no sacrifício de seu animal. Cada vida é sua própria morte, e aquele que nos mata é de algum modo o mensageiro do destino que era seu desde o início (CAMPBELL, 2015, p. 149)”. Sobre essa questão, a professora ressaltou que, assim como Ártemis, exercemos duplo papel: “Na nossa cultura somos produtos dessa grande mente (inconsciente coletivo), onde formamos e somos formados”. Somos ao mesmo tempo produto e ação na existência. Na percepção de que há mistério na ação, também há a percepção de que todo ato é sagrado: “Quando esquecemos que somos mortais, tendemos a fazer muitas bobagens”, disse, lembrando que, dentro da percepção das narrativas míticas, sempre há responsabilidade pelas escolhas feitas, já que elas afetam tanto a si como o outro. Trata-se, portanto, da tão desejada e necessária perspectiva da alteridade.  

Em relação ao capítulo 6: Ilíada e Odisseia: o retorno à deusa, a professora chamou atenção principalmente para a figura de Penélope que, acreditando no retorno de Odisseu, tecia durante o dia uma trama que desfazia durante a noite. Tal ato serviria para ludibriar pretendentes que haviam dado Odisseu como morto e desejavam desposá-la. Acreditando que seu esposo retornaria, ela prometia que se casaria novamente assim que concluísse sua tecelagem.

De seu lado, Odisseu passou por uma serie de provações até retornar a sua esposa Penélope, já agora um homem transformado pelos desafios não somente da guerra, mas também do amor. Em outras palavras, com prontidão para se comprometer finalmente com um relacionamento formado por pares iguais. De acordo com a professora, a questão de tecelagem é recorrente nas narrativas míticas e representa o construir e desconstruir inerentes à vida.

Sobre as narrativas, Guarnieri apontou que o ocidente é um paradoxo entre Atenas e Jerusalém, ou seja, entre as narrativas grega e judaico-cristã. E que ainda há uma busca em relação à alteridade, que pode ser observada nos polos de opostos comoObjetivo/Subjetivo, Apolo/Ártemis, Afrodite/Eros.

A relação entre o masculino e feminino, abordada tanto na palestra da professora, quanto nos capítulos desenvolvidos na obra de Campbell, incitou debate entre os presentes, que levou ao aprofundamento dos conceitos junguianos de anima e animus, originários da psicologia analítica desenvolvida por C.G. Jung (1875-1961). Anima seria a parte feminina inconsciente que o homem possui e animus a parte masculina inconsciente que a mulher possui. Portanto, todo homem possui uma parte feminina e toda mulher possui uma parte masculina em sua psique, como o clássico símbolo do yin e do yang chinês.

Representação de Anima e Animus
No contexto junguiano, anima pode ser compreendida como sendo a alma, aquilo que move. Já animus seria o espírito, o que dá a direção à vida. Um está intrinsecamente relacionado ao outro e depende do outro. Assim, quando há o desequilíbrio do animus (na mulher), ela pode manifestar certa postura “de general”, de rigidez”, explicou Guarnieri. Por seu lado, o homem com alteração de anima pode ficar “animoso”, isto é, irritadiço, inquieto.

Foi assim que o sábado, um dia chuvoso de inverno paulistano, foi aquecido e avivado graças à vasta troca de experiências e conhecimentos entre a palestrante e os participantes, proporcionando a cada presente material para tecer uma nova parte da colcha de retalhos que constitui a vida humana.

Texto: Vanessa Heidemann

Referências

CAMPBELL, J. Deusas: os mistérios do divino feminino. São Paulo: Palas Athena, 2015.




domingo, 9 de julho de 2017

19/8/2017: Encontro de Inverno da Granja Viana-SP Brazil JCF Mythological RoundTable®


Detalhe de O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli (1444-1510)


É com satisfação que convido para nosso terceiro encontro de 2017, que será realizado no sábado 19/8, a partir das 14h. 

We are pleased to invite you to join our Winter Roundtable, which will be held on August 19, 2017, at 2pm. 

Dedicaremos este ano ao estudo do mais recente livro de Joseph Campbell lançado em português no Brasil: Deusas: o mistério do divino feminino (Editora Palas Athena).  

In 2017 we are working on the latest Joseph Campbell´s book translated to Portuguese in Brazil: Goddesses: mysteries of the divine feminine (Palas Athena Publisher).

A palestrante será a psicóloga Maria Cristina Mariante Guarnieri. Doutora e Mestre em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ela é especialista em Psicologia Junguiana, atuando como docente do Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP). 

The keynote speaker will be the psychologist Maria Cristina Mariante Guarnieri. She holds a PhD in Science of Religion (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) and is an specialist in Analytical Psychology. Guarnieri is a lecturer at the Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa (IJEP).

Na oportunidade, trabalharemos o capítulo 5 (Deusas e deuses do panteão grego) e o capítulo 6 (Ilíada e Odisseia: o retorno à deusa) (páginas 137 a 214). 

She was invited to present her vision on the Chapter 5 (Goddesses and gods of the Greek pantheon) and Chapter 6 (Iliad and Odyssey: the return to the goddess) (pages 137 to 214).

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

The event is free of charge, but we request the donation of one kilo of non-perishable food per participant to the parish.

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 16h30. 

Also be welcome to bring fruits and other healthy food or juices to share in the community closing gathering, held at 4:30 p.m.


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Venue: Santo Antonio Parish (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 of the Raposo Tavares Highway, direction São Paulo> Cotia) Access by José Félix de Oliveira Street (Entrance by the office located on the side of the church, in front of Banco Bradesco). 

Abraços/Best

Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Granja Viana-SP (Brasil)*

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Relato do Encontro de Outono de 2017: patriarcado, mistérios das deusas sumerianas e egípcias



“[...] em relação aos símbolos: eles não se referem a eventos históricos; eles se referem, através de eventos históricos, a princípios espirituais ou psicológicos e forças de ontem, hoje e amanhã, e que estão em todo lugar” (CAMPBELL, 2015, p.86).

O segundo encontro do ano promoveu a continuidade do estudo voltado para o mais recente livro lançado em português do mitólogo estadunidense Joseph Campbell (1904- 1987). Trata-se de Deusas: os mistérios do divino feminino (editora Palas Athena, 2015).
O encontro realizado na cidade de Cotia, São Paulo, contou com a participação da psicoterapeuta Ana Maria Galrão Rios que abordou e desenvolveu aspectos relacionados aos capítulos três, O Influxo Indo-Europeu, e quatro, Deusas Sumérias e Egípcias da obra de Campbell.
Aprofundando a temática, Rios apresentou sua dissertação de mestrado, concluída em 2008, intitulada Um estudo junguiano sobre a imagem de Deus das crianças num contexto cristão. O trabalho foi desenvolvido com alunos do ensino fundamental e médio e buscou observar a imagem de Deus nas crianças de diferentes faixas etárias (RIOS, 2008).
De antemão a palestrante aponta para as relações entre a construção da imagem do Deus Judaico/Cristão com a construção da imagem concebido pelas crianças. O Deus Judaico/Cristão é aquele que cria o ser humano a partir de seu desejo e que possui uma relação com sua criação demonstrando raiva, bondade, amor, tristeza ou até mesmo punindo.
A imagem de um Deus participativo é construída no imaginário infantil nos primeiros anos de vida conforme as relações que as mesmas desenvolvem com seus pais. Sendo assim, Deus é representado como benevolente, bravo, amoroso ou não, perante a imagem e semelhança que as crianças possuem de seus pais.
Rios afirma que o cérebro humano vive sobre um imperativo cognitivo (imperativo semelhante ao desenvolvido pelo filósofo do século XVIII Immanuel Kant), ou seja, os humanos sempre buscam saber e explicar os fenômenos. Não importa a complexidade da explicação, o cérebro cria um enredo e, se necessário, um mito para preencher as lacunas.
Na concepção da palestrante, os mitos que acreditamos moldam a forma com que nos relacionamos com a vida desde os primórdios.
A construção da imagem de Deus é concebida em crianças de forma distinta conforme cada idade. Segundo a pesquisadora, elas passam por quatro ciclos arquetípicos do desenvolvimento: matriarcal,  patriarcal, de alteridade e cósmico.
No ciclo matriarcal a criança se percebe como centro, não somente do próprio mundo, mas do mundo enquanto tal.  Deus é construído à imagem da criança e, portanto, é um Deus que brinca (FIG.1).

Figura 1: Deus que brinca
Fonte: RIOS, 2008

                       

O ciclo patriarcal é responsável por fixar o símbolo do divino no imaginário da criança. Valores como ordem, disciplina, autoridade e justiça se manifestam nos desenhos; as imagens e símbolos se fixam e codificam conforme os padrões culturais onde a criança está inserida (FIG.2).
Figura 2: Jesus crucificado
       Fonte: RIOS, 2008

 
A percepção da existência e importância do outro ocorre no ciclo da alteridade. Nele, as escolhas são baseadas não apenas no próprio sentimento, mas também no sentimento do outro (FIG.3). Um exemplo desse ciclo são as festas de aniversários organizadas pelos próprios adolescentes (12-14 anos), que enfrentam dificuldades em convidar amigos e deixar de fora alguns colegas devido aos conflitos que naturalmente permeiam grupos nessa faixa etária.

Figura 3: Deus branco e negro, consciência e compreensão das diferenças
Fonte: RIOS, 2008
  
É por meio do ciclo cósmico que as polaridades transcendem e há uma percepção de tudo como um todo único que está em permanente mutação.

 
Figura 4: Jesus Cristo rezando por todos
Fonte: RIOS, 2008

                                        

Rios aponta para a importância de se compreender que tanto o patriarcal, quanto o matriarcal possuem pontos positivos e negativos. A polaridade negativa se apresenta quando há um uso excessivo dessas características.
Inanna, deusa da Suméria
Fonte: Pinterest
O ciclo patriarcal, por exemplo, age segundo um futuro previsto, sendo aquele que defende, cuida e que é justo, o que garante a ordem e a lealdade. É por meio do patriarcado, portanto, que há leis que garantem a sobrevivência da espécie humana, permitindo uma organização que favorece toda a sociedade.
Em contrapartida, o matriarcal funcionaria melhor em pequenos grupos já que seu interesse está relacionado à pertinência, continência e sobrevivência.
Nessa perspectiva, o feminino em um sistema patriarcal abusivo pode ser posto em condição de submissão para sobreviver. No entanto, apesar das mulheres não possuírem dentro desse sistema uma representação do sagrado de forma direta, a pesquisadora adverte que representações recorrentes a Deusa sempre existiram e estão presentes.
Casamento sagrado: Isis como uma ave de rapina sobre
Osiris morto no mito da geração de Hórus 
Abordando as representações da Deusa no capítulo quatro, Deusas Sumérias e Egípcias da obra de Campbell, Ana comenta os mitos de Inanna, Isis e Maat. Interpretando as narrativas pela perspectiva da psicologia analítica, a palestrante lembra que Inanna e Isis estão relacionadas ao mito do casamento, enquanto Maat à justiça.
Como afirma Ana, o masculino e o feminino são polaridades encontradas em todos os seres humanos e o abuso de um sistema, seja qual ele for, é prejudicial.
Maat, a deusa egípcia
da Justiça: pena como símbolo
As narrativas míticas são encontradas em todas as partes, nas palavras da psicoterapeuta Ana Maria Galrão Rios: “Os deuses vão nos visitar através dos símbolos” e para Joseph Campbell (1904- 1987): “[...] quando o masculino entra, há divisão, ao passo que, quando o feminino entra, cria-se a união” (2015, p.122). Mas é somente quando ambos estão em relação que há a possibilidade de alteridade e, no vocabulário da psicologia analítica, transcendência, no sentido dialético de a soma das partes ser maior que o todo.

Por Vanessa Heidemann


Referências

CAMPBELL, J. Deusas: os mistérios do divino feminino. São Paulo: Palas Athena, 2015.

RIOS, A. M. G. “Um estudo junguiano sobre a imagem de Deus das crianças num contexto cristão”. 2008. 256 f. Dissertação (Mestrado) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2008. Disponível em:



segunda-feira, 8 de maio de 2017

17/6 - 14h - Encontro de Outono do Núcleo Granja Viana-SP da Fundação Joseph Campbell



É com satisfação que convido para nosso segundo encontro de 2017, que será realizado no sábado 17/6, a partir das 14h. 

We are pleased to invite you to join our Autumn Roundtable, which will be held on June 17, 2017, 2pm. 

Dedicaremos este ano ao estudo do mais recente livro de Joseph Campbell lançado em português no Brasil: Deusas: o mistério do divino feminino (Editora Palas Athena).  

In 2017 we are working on the newest Joseph Campbell´s book translated to Portuguese in Brazil: Goddesses: mysteries of the divine feminine (Palas Athena Publisher).

A palestrante será a psicoterapeuta Ana Maria Galrão RiosDoutora e Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008), na área de Estudos Junguianos. Especialista em Psicologia Clínica, atua principalmente nos temas de desenvolvimento psicológico, psicologia analítica, calatonia, trabalho corporal em psicoterapia e Jung. Pertence ao corpo editorial da Revista Hermes. 

The speaker will be the psychotherapist Ana Maria Galrão Rios. Rios holds a PhD in Clinical Psychology (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2008), being an specialist in analytical psychology and calatonia, among other subjects. She serves as an editorial board advisor to Hermes Journal.

Na oportunidade, trabalharemos o capítulo 3 (O influxo indo-europeu) e o capítulo 4 (Deusas Sumérias e Egípcias) (páginas 91 a 135). 

She was invited to present her vision on the Chapter 3 (The Indo-European Influence) and Chapter 4 (Sumerian and Egyptian Goddesses) (pages 91 to 135).

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

The event is free of charge, but we request the donation of one kilo of non-perishable food per participant to the parish.

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 16h30. 

Also be welcome to bring fruits and other healthy food or juices to share in the community closing gathering, held at 4:30 p.m.


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Venue: Santo Antonio Parish (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 of the Raposo Tavares Highway, direction São Paulo> Cotia) Access by José Félix de Oliveira Street (Entrance by the office located on the side of the church, in front of Banco Bradesco). 

Abraços/Best

Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Granja Viana-SP (Brasil)*

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Relato do Encontro de Verão de 2017: os mistérios do divino feminino



“Certa vez li sobre uma antiga maldição chinesa: ‘Que você renasça numa época interessante!’ A nossa época é uma época muito interessante: não há modelos para nada do que está acontecendo. Tudo está mudando, mesmo a lei da selva masculina. É um tempo de queda livre para dentro do futuro, e cada um ou cada uma deve criar seu próprio caminho. Os modelos antigos não estão funcionando, os novos não apareceram ainda. De fato, nós mesmos é que estamos modelando o novo segundo a forma de nossas vidas interessantes. Joseph Campbell

Ao iniciar um novo ciclo de estudos acerca das narrativas míticas, contamos com a presença da psicoterapeuta Leda Maria Pirillo Seixas, professora do curso de Psicologia na Faculdade de Ciências da Saúde da PUC-SP.  
Nesse primeiro encontro de 2017, foram discutidas as três primeiras partes (introdução, capítulo 1 e 2) do livro do mitólogo estadunidense Joseph Campbell (1904- 1987), lançado em 2015 em português no Brasil pela editora Palas Athena, Deusas: os mistérios do divino feminino (CAMPBELL, 2015)
Com o desenvolvimento das sociedades modernas e da tecnologia, os mitos são muitas vezes tidos como algo que permaneceu no passado, como histórias ou mentiras. Esse tipo de interpretação privilegia uma visão que tende a excluir os mitos do contexto dos estudos das narrativas nos dias atuais. Contudo, nas palavras da professora Leda Seixas, eles apenas mudaram de face.
Segundo ela, existem exemplos atuais de mitos que ainda norteiam a nossa existência, como a ciência, a política e a economia, que podem ser considerados os novos deuses poderosos que estão presentes em nosso cotidiano.
Assim, abordar o masculino e o feminino em nossa sociedade pode ser tarefa complexa, já que o papel de ambos passa por transformações. Entre os povos primevos, ancorados numa perspectiva mais biológica, existia uma clara distinção de cada um desses arquétipos, visto que o homem era aquele que caçava, sustentava e protegia, enquanto a mulher era a que transformava. Essa noção era baseada no corpo da mulher, tido como mágico, pois que “repentinamente” dava origem à uma nova vida. Isso porque não havia ainda a compreensão da importância do papel do homem relacionado à reprodução.
O corpo feminino, então, era associado à terra, às cavernas, aos mistérios do nascimento, da morte e do renascimento. Não por acaso, os primeiros cultos ao feminino estavam voltados para questões de vida e morte.
Carl Gustav Jung (1875-1961), pai da psicologia analítica, desenvolveu uma abordagem baseada nos arquétipos do feminino e masculino, onde a Anima é entendida como o princípio feminino no inconsciente do homem e o Animus o princípio masculino no inconsciente da mulher. Segundo a professora, desde então essas noções propostas por Jung estão sendo ampliadas e desenvolvidas por outros especialistas do campo.
A própria psicoterapeuta sugere tentar compreender essa dualidade por meio da direção ou forma de energia, onde o princípio masculino representaria o Logos, ou seja, a razão e a objetividade, e o princípio feminino o Eros, não no sentido sexual, mas de relação entre as coisas, de conexões.
Ao longo da evolução histórica, sobretudo nas últimas décadas, o papel social da mulher se transformou devido às guerras – que levou à diminuição dos homens na sociedade, possibilitando às mulheres trabalhar fora de suas casas – e ao avanço tecnológico, da pílula anticoncepcional ao desenvolvimento dos eletrodomésticos, que liberou a mulher de muitas funções relacionadas à manutenção da casa e da família.
Para Leda Seixas, o primeiro movimento da mulher na sociedade moderna foi o de competir com o homem para conseguir um lugar na sociedade – processo que levou as mulheres a imitarem o comportamento masculino. Segundo ela, hoje “não possuímos mais parâmetros. Os papeis tradicionais foram rompidos e, ao mesmo tempo em que isso é interessante, é muito difícil, já que cabe a cada um tentar descobrir o que fazer com sua própria vida”.
Nesse contexto, a professora afirma que há uma evolução de comportamento e que a partir de agora as mulheres devem passar a tentar buscar mais sua essência feminina e a forma que elas podem contribuir com sua feminilidade para com o mundo. Isso porque a imagem e a força do arquétipo do feminino permanecem.
Além disto, existiram mitos que incluem outras variações dessas imagens arquetípicas, como o do hermafrodita. Um desses mitos é relatado por Platão (428/427 - 348/347 a.C) em sua obra O Banquete (PLATÃO, 1991), por meio do diálogo de Aristófanes que explica como esses seres seriam originalmente. Segundo Platão, tratava-se de seres duplos e esféricos, que possuíam dois pares de cabeças, quatro pernas e quatro braços. Eles seriam divididos em três sexos. Um seria constituído por duas metades masculinas (os filhos do Sol); outro por duas metades femininas (as filhas da Terra); e o terceiro seria andrógino, metade feminina, metade masculina (os filhos da Lua).
Como se voltaram contra os deuses, a fim de acabar com sua intemperança e arrogância Zeus cortou-os em dois, dividindo-os. Esse mito explicaria a eterna necessidade das pessoas de buscarem uma completitude no outro, bem como a nostalgia do tempo em que o feminino e o masculino teriam vivido em comunhão, em totalidade. 
Quando questionada sobre esse mito ser a representação da eterna busca pela ´tampa da panela´, a professora adverte que os mitos apontam para além do aspecto racional: “O mito não é uma expressão literal da realidade, pois ele se expressa de uma maneira simbólica”.
Para finalizar, Leda Seixas lembrou que o “feminino é um todo que é multifacetado”. Assim, a mulher é associada ao mistério, à mágica e à natureza. Por isso, mesmo no contexto contemporâneo que privilegia os valores do masculino, a mulher deveria se voltar para si mesma para reconhecer toda a sua força. Para ela, a “sabedoria da coruja está em ser coruja”, frase que leu na lousa da escola primária e nunca mais esqueceu.

Texto: Vanessa Heidemann, mestranda do Programa de Comunicação e Cultura da Uniso.


Referências
CAMPBELL, J. Deusas: os mistérios do divino feminino. São Paulo: Palas Athena, 2015.

PLATÃO. Diálogos: o banquete, Fédon, Sofista, Político. 5. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991.