domingo, 17 de novembro de 2013

Encontro de Verão com Jorge Miklos reúne 30 participantes


Os trinta participantes do encontro realizado em 16 de novembro de 2013
Duas tradições monoteístas que têm perspectivas diferentes: a cristã, iniciada no século I, a partir do ano 33 da era presente, e a islâmica, no século VII, que começa com a égira em 622. Foi sobre este universo e suas implicações para o mundo contemporâneo que o historiador Jorge Miklos discorreu no Encontro de Verão do Núcleo Granja Viana (SP), realizado no sábado 16 de novembro de 2013.

O Professor Doutor Jorge Miklos, do PPGCC da Unip
A palestra foi baseada na Parte IV -- A Idade das Grandes Crenças -- do livro As Máscaras de Deus, Mitologia Ocidental, do mitólogo estadunidense Joseph Campbell (1904-1987). A partir deste texto-base, o docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Paulista (Unip) e do curso de História da Faculdades Integradas de Ciências Humanas, Saúde e Educação de Guarulhos (FG), de São Paulo, lembrou que até o Concílio de Niceia, realizado em 325 a.C., havia não apenas um cristianismo, mas cristianismos. Foi neste momento que foram tomadas algumas medidas uniformizadoras da religião, como a natureza dual de Jesus, isto é, o fato de ele ser considerado humano e divino ao mesmo tempo. "Naquela época, o Império Romano estava se esfacelando no Ocidente e a medida foi vista como uma tentativa de manter a coesão política", explica Miklos. Neste sentido, o cristianismo que prevaleceu foi o da fé e não o do conhecimento, como o que defendiam outros ramos, como o dos gnósticos.

O palestrante com a coordenadora do
Núcleo Granja Viana (SP), Monica Martinez
Se para o cristianismo Deus está a serviço dos seres humanos, para o Islamismo é o homem que deve servir a Deus. "É preciso lembrar que, apesar da escalada islâmica no mundo atual, nem todo muçulmano é árabe", esclarece Miklos. "Aliás, hoje a maior parte do mundo muçulmano está em outros países, como Paquistão e Irã", conta.





Solange do Nascimento, que veio de Manaus
para o evento, e parte da delegação dos alunos
do curso de História da FG, de Guarulhos, SP. 
Com a queda do Império Romano no Ocidente e o ataque dos hunos no norte da Europa, os povos germanos -- popularizados como os bárbaros -- começam a conquistar o continente europeu. "O interessante é que, aos poucos, eles acabaram se convertendo ao cristianismo", diz Miklos. Contudo, ele ressalta um autor citado por Campbell, o historiador alemão Oswald Spengler (1880-1936), que contribui com o conceito de pseudomorfose. Emprestado da mineralogia, ele quer dizer que em alguns fenômenos culturais há alteração na aparência, mas não na essência. Desta forma, o contato entre duas perspectivas religiosas resultaria na modificação apenas aparente, superficial, dos conteúdos culturais.

A fotógrafa oficial do dia: Amanda de Paula
Para o pesquisador de ciências da religião, o principal desafio atual da humanidade é o de aprender a lidar com a diversidade, reconhecendo nela um valor e não uma ameaça. "Uma única narrativa, uma única história, não dá mais conta de explicar o mundo", conclui.

Este foi o último encontro de 2013 do Núcleo Granja Viana (SP) da Fundação Joseph Campbell. Desejamos boas festas e um feliz 2014 para todos, repleto de bliss, lembrando que retomaremos as atividades no dia 8 de fevereiro de 2014, quando iniciaremos os estudos sobre o livro As Máscaras de Deus, Mitologia Oriental (Palas Athena).

O minivídeo sobre o encontro já está disponível. Para vê-lo, clique aqui ou acesse diretamente o link http://youtu.be/oajRKO4RE-E.

Por Monica Martinez
Coordenadora do Núcleo Granja Viana (SP) da Fundação Joseph Campbell