quinta-feira, 25 de junho de 2009

Jornada do Herói e o Jornalismo


“A imprensa precisa trabalhar melhor esse procedimento natural de contar histórias, pois isso satisfaz a necessidade (inconsciente, até) do leitor de acompanhar as notícias do mundo de um modo esteticamente eficiente, psicologicamente compatível com sua condição receptiva inata. Desde que esse princípio seja compreendido e assimilado, o contar histórias pode estar presente, em alguma medida, até mesmo no dia-a-dia. E dos recursos à disposição dessa abordagem, elementos da Jornada do Herói podem ajudar a iluminar a narrativa do dia-a-dia que se organiza em torno de personagens de carne e osso. Qual é a natureza do desafio que enfrenta um herói em sua jornada? Quando um repórter de esporte compreende esse padrão, pode muito bem aproveitá-lo para escrever com maior sabor narrativo e maior profundidade de compreensão o que ocorreu de fato com o herói do time que venceu o campeonato de futebol sob circunstâncias dramáticas. E assim por diante em todas as áreas de cobertura especializada, das editorias de cidades à de política, da economia à de tecnologia, do comportamento ao meio ambiente”.


Edvaldo Pereira Lima é o introdutor do uso da estrutura narrativa mítica no jornalismo brasileiro no final dos anos 1990. A íntegra dessa entrevista está disponível em http://jornalirismo.terra.com.br/jornalismo/14/667-edvaldo-pereira-lima-piloto-da-aviacao-jornada-mitica-do-heroi

sábado, 13 de junho de 2009

Os símbolos insistem


Envolvidos em tramas que tensionam os limiares do cotidiano com uma perspectiva mais global ou abrangente, somos tocados pelas pesquisas de Joseph Campbell. Se, por cotidiano entendemos a natureza, os vínculos afetivos, o ensino e a pesquisa, por uma perspectiva mais holística sentimos o universo dos símbolos de múltiplas culturas entre os vizinhos dos nossos bairros ou na telas que furam nossas paredes, como as dos computadores.

Ao resgatar narrativas de diversas culturas, em O Herói de Mil Faces, Campbell reúne indícios das histórias de vida ou jornadas de pessoas que ousaram perceber as relações entre o mundo humano do cotidiano e os símbolos que, nas diversas culturas, também expressam o denominado mundo divino.
Estudando os símbolos cultivados repetidamente através de rituais, o mitólogo nos proporciona uma chave da compreensão do mito e do símbolo quando indica que o reino dos símbolos (incluindo os deuses) é uma dimensão esquecida do mundo que conhecemos.

Céticos, abertos ao mundo dos símbolos ou distraídos dessa dimensão humana, somos provocados por Campbell a perceber que algumas pessoas, em diversas culturas, transitam com consciência, dor ou entusiasmo, entre o mundo do cotidiano e o mundo dos símbolos.
E ainda mais, percebem que esses mundos estão misturados quando relacionam suas experiências individuais com uma consciência globalizante, universal, multicultural ou holística.

Céticos ou distraídos percebemos o sentido profundo de práticas cotidianas de lavar louça, abraçar uma pessoa, reciclar os resíduos ou ler um livro. Compreendemos que estas práticas estão ligadas a um universo simbólico mais amplo nos espaços de vinculação humana dos bairros ou nas teias das telas em rede onde também os símbolos insistem em explodir, convocar, narrar, vincular ou provocar.

Pensando nestas questões, céticos, abertos ou distraídos, podemos também reler Ensaio sobre o homem – Introdução a uma filosofia da cultura humana, de Ernst Cassirer (São Paulo: Martins Fontes, 1994) para transitarmos nos limiares de dimensões humanas como mito e religião, linguagem, arte, história e ciência. Ou ainda lembrar a coletânea de artigos organizados por Norval Baitello e outros (São Paulo: Annablume, 2006), com o sugestivo título, Os símbolos vivem mais que os homens.

José Eugenio Menezes
Professor do Programa de Mestrado
da Faculdade Cásper Líbero,
onde integra o Grupo de Pesquisa
Comunicação e Cultura do Ouvir

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Guardiães da Jornada do Herói

Que a jornada do herói, hoje, se oferece como um lugar de resistência a todas as atrofias do mundo moderno já sabemos.

Resta-nos, pois, afinar os instrumentos para fazer frente ao desprezo pelo mito, ao comando da hiper-racionalidade, à hegemonia do mercado.

Que se revitalize a jornada do herói (J.H.) para desestabilizar todas essas formas de alienação da psique. E que se mobilizem todos os que se julgarem capazes de um “coração gentil” - preceito sagrado dos antigos trovadores-, para se fazerem de guardiães da jornada.

Vamos nos preparar para:
- viver e expandir a existência, se quisermos ser bons modelos;
- olhar a vida, sem julgamento, se quisermos explorar a potencialidade do mundo;
- aproveitar a espontaneidade do momento, se quisermos, de fato, estender a outros nossa humanidade, degradada ou sublime que seja.

Um autêntico guardião sabe que a jornada não pode levar a um escapismo, nem reduzir-se a um exercício solipsista.

Que Campbell nos proteja!

Ivy Ramadan, professora da coordenadoria de Cultura Geral da Faculdade Cásper Líbero (SP), foi palestrante do encontro realizado no dia 30/5/2009 no Núcleo Granja Viana-SP da Fundação Joseph Campbell.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Encontro de maio


Apesar do friozinho (ou talvez graças a ele), foi muito proveitoso o 2o. encontro de 2009 do Núcleo Granja Viana-SP realizado em 30 de maio. Na foto, da esquerda para a direita, em pé: Renato Lima, Maria Helena de Souza, José Augusto Heeren, o palestrante José Eugenio de Menezes e Ana Maria González. Abaixo, a palestrante Ivonete Ramadam e Renata Lima.
Por Monica Martinez