sábado, 30 de maio de 2015

15/8 - 14h - Encontro de Inverno do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell


Afresco na igreja franciscana de  San José, em San Juan, Porto Rico
É com satisfação que convidamos para a 3a. Roundtable de 2015 do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell. O encontro será realizado: 

Data: 15 de agosto (sábado)
Horário: das 14h às 17h


Local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Palestrante
A psicoterapeuta Maria Beatriz Szilli


O que faremos 
Neste terceiro encontro do ano, discutiremos a parte III do livro As Máscaras de Deus -- Mitologia Criativa (Editora Palas Athena): O Caminho e a Vida (p. 347-483).

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. Leve também um salgado, doce ou suco para participar do lanche comunitário após o evento.

A Joseph Campbell Foundation, com sede na Califórnia, também nos pede para lembrar nossos membros que doações para manutenção deste programa mundial são bem-vindas. Para doar, acesse diretamente o site por meio do link http://www.jcf.org/new/contribute

Para aqueles que vierem pela primeira vez, recordo que o objetivo do grupo é o de estimular os estudos de mitologia e religião comparada a partir da perspectiva de Joseph Campbell (1904-1987), mitólogo estadunidense considerado como um dos maiores estudiosos dessa área no século 20.

Favor confirmar presença para o e-mail nucleogranjavianajcf@gmail.com até dia 15 de março. Como sempre, fiquem à vontade para encaminhar esse convite para outros interessados no tema, destacando apenas que devem confirmar presença previamente por meio do mesmo e-mail.

Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Núcleo da Granja Viana-SP (Brasil)*
http://fundacaojosephcampbell.blogspot.com
www.facebook.com/monicamartinezbr

domingo, 17 de maio de 2015

Um relato do encontro de outono

Malena Contrera, a palestrante de maio de 2015
O mitólogo estadunidense Joseph Campbell (1904-1987) é sempre surpreendente. Você está preparado para trabalhar a parte II da obra As Máscaras de Deus, Mitologia Criativa (Palas Athena, 2010), intitulada A Terra Desolada. Espera-se, portanto, trabalhar temas como o caos nesse mundo desmitologizado contemporâneo ou algo assim. E de repente, você deliciosamente se perde na leitura, porque ela fala de... a maravilhosa lenda de Tristão e Isolda, um marco da literatura da baixa Idade Média. Nessa obra, o ponto de vista do indivíduo torna-se decisivo, contrapondo-se à tradição religiosa ocidental cristã da época, que determinava que aqueles que saíssem da linha arderiam eternamente no fogo do inferno -- algo então entendido de forma bastante literal. Assim, um amante medieval que pede à amada que o aqueça no inverno "e que tudo o mais vá para o inferno" está bem à frente de seu tempo!

Nesse contexto inesperado, a palestra da Profa. Dra. Malena Contrera, do Mestrado e Doutorado em Comunicação da Universidade Paulista, fluiu de forma espirituosa e profunda. Para Malena, a síntese da narrativa de Tristão e Isolda é a de que "em frente a algo que liberta do tempo -- o amor --, a morte não tem poder nenhum".  A terra desolada nesse contexto significaria "tirar do corpo, da experiência da carne, do amor, sua sacralidade". Faria parte, portanto, do período de transição da mitologia matriarcal para a patriarcal, bem simbolizada pelos mitos grego-romanos. As sociedades matriarcais estariam ligadas à Grande Mãe e à Deusa, enquanto às patriarcais ao Herói, o Guerreiro.

  Nesse sentido, o amor cortês "não separa o corpo da alma, da psique. Ele faz essa celebração da vida, que é o que Tristão já fazia antes de conhecer Isolda", diz Malena. 

Ivete Fukimoto e Ivy Ramadan
Para ela, no momento em que se encontra esse tipo de amor Tristão-e-Isolda, o ego "dança". Afinal, "não há transcendência sem entrega". Ainda segundo Malena, "o ego adora esse sentimento de achar que consegue controlar tudo. Nessa híbris (ou descomedimento), se acha um Deus".


O historiador Jorge Miklos
 Contudo, é somente o ego destroçado que pode encontrar sua alma, sua parte sensível. "É esse o sentido simbólico, é por isso que na lenda Tristão chega à Isolda 'podre´, cheirando mal devido a um ferimento que havia sido causado por um veneno que ela própria, a primeira Isolda, havia criado".

Como se lidar com um grande amor, portanto, sem sucumbir a ele ou sair permanentemente destroçado? De acordo com Malena, a lenda de Tristão e Isolda sugere a necessidade de um ego forte, porém flexível. Conseguir fazer isso, claro, é uma questão de "sorte", brinca.

Sara e Irineu Guerrini, que trouxe a série O Poder do Mito para a TV Cultura
Malena citou também o trabalho do psicólogo junguiano James Hillmann (1926-2011), segundo o qual se nós não tivéssemos uma dor seríamos insuportáveis. Nesse sentido, seriam nossos amores e nossas dores que fariam de nós seres humanos plenos em nossa potencial capacidade de amar.


Para finalizar, o pensamento de Campbell sobre o tema: "A Terra Desolada, podemos dizer então, é
Tadeu Rodrigues, nosso fotógrafo
qualquer mundo em que (colocando o problema de maneira pedagógica) a força, não o amor, a doutrinação, não a educação, a autoridade, não a experiência, prevalecem na organização de suas vidas, e onde os mitos e ritos observados e aceitos não guardam, portanto, nenhuma relação com as verdadeiras experiências, necessidades e potencialidades interiores daqueles que os aceitam" (CAMPBELL, 2010, p. 332).

Que vença, portanto, o amor. Agora e sempre!


Por Monica Martinez