sexta-feira, 19 de julho de 2019

6/7 - Relato do encontro de outono de 2019: A questão dos relacionamentos


Tristão e Isolda



Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
Pois os olhos são os espiões do coração.
E vão investigando
O que agradaria a este possuir.
E quando entram em pleno acordo
E, firmes, os três em um só se harmonizam,
Nesse instante nasce o amor perfeito, nasce
Daquilo que os olhos tornaram bem vindo ao coração.

Gutraut de Borneilh (1138-1200?)

O primeiro encontro de 2019, da Roundtable Granja Viana (SP) da Fundação Joseph Campbell, aconteceu no dia 7 de setembro e contou com a participação do psicólogo junguiano Camilo Ghorayeb que abordou as questões dos relacionamentos.

Utilizando como texto base o Capítulo 7 (Histórias de amor e matrimônio) do livro O Poder do Mito (Palas Athena) de Joseph Campbell, Ghorayeb – mestre em Psicologia Profunda pela Pacifica Graduate Institute e professor na Associação Palas Athena – contextualizou o desenvolvimento do olhar ocidental em relação ao masculino e ao feminino desde a transição do período Paleolítico para o Neolítico.

No período Paleolítico, os homens eram responsáveis pela caça que possibilitava  a sobrevivência dos grupos. Desta maneira, era o masculino que desenvolvia um papel mais agressivo e se destacaria em relação ao feminino.

Já a partir do período Neolítico o ser humano, ao se estabelecer em locais fixos e passar a cultivar alimentos, em áreas abundantes em água, deu início às primeiras grandes civilizações (Mesopotâmia, Egito, Índia, China). Segundo o professor convidado no curso de especialização em psicologia analítica pela Unicamp e no curso de formação de analistas Junguianos pelo IPAC, naquele período houve uma transição no comportamento humano, na qual a agressividade utilizada para a caça pelos homens não era mais necessária perante a espera do plantio.

A compreensão dos ciclos naturais e o domínio da agricultura teriam gerado civilizações pacíficas com um sistema de valores. O papel da mulher nesse processo ganhou destaque pela analogia com a terra fértil, que gera. Essas civilizações agrícolas possuíam uma relação comunitária, na qual o coletivo prevalecia em relação ao indivíduo. 

O olhar poético e mítico explicava os fenômenos naturais, gerando encantamento e espanto.  Nesse período o ser humano compreende que o velho é devorado pelo mundo, que a vida se alimenta da vida e que os processos naturais são cíclicos. O mundo é compreendido, portanto, a partir de um arrebatamento estético.

Com o início das invasões de povos mais agressivos, que utilizavam a violência para dominar, teria se iniciado a transformação do pensamento coletivo para o individual.

Por isso Ghorayeb pontua que no Ocidente a relação entre o indivíduo e o coletivo é marcante, diferente do que ocorre no Oriente – que ainda privilegia o coletivo frente ao indivíduo.

Neste contexto, no decorrer do desenvolvimento das civilizações, os relacionamentos que uniam homens e mulheres não possuíam como característica o amor pessoal, de um indivíduo para outro. Antes os casamentos/uniões eram realizados por convenções sociais que visavam a manutenção da posse de terras e riquezas, bem como a manutenção da parceria amorosa como fundação para o próprio núcleo familiar.

Na Idade Média as relações amorosas passam a ganhar uma característica pessoal a partir da influência dos trovadores. Este é um ponto importante da compreensão da obra do mitólogo estadunidense Joseph Campbell (1904-1987). O trovador exalta as características individuais de sua amada, reconhecendo que o ato de amar apesar de envolver a dor vale a pena. Essa construção do relacionamento amoroso pode ser observado na história de Tristão e Isolda, que se apaixonam e assumem todos os riscos e dores para viver seu amor.

Segundo Ghorayeb, para Joseph Campbell esse período do Trovadorismo inicia o reconhecimento da dor da vida. “O amor me toca e me faz sofrer e ainda assim por ele vale a pena viver mesmo que o fim seja o inferno”. Não por acaso, o amor ou paixão entre indivíduos – diferentemente das uniões convencionadas socialmente – era considerado uma contravenção, logo um pecado na Idade Média, pois estava relacionado ao divino (espiritual) e não meramente ao terreno (carnal).

Fazendo um paralelo entre o pensamento de Joseph Campbell e do psiquiatra Gustav Carl Jung (1975-1961), idealizador da Psicologia Junguiana ou Profunda, Ghorayeb aponta que o desejo do trovador por uma mulher em específico gerava tensão que é a base da própria vida: “Não somos nós que vivemos a vida, é ela que nos vive”. Esse amor do trovador pode ser associada à ideia de bem aventurança proposta por Campbell e, naturalmente, ao tema pelo qual ele é mais conhecido no mundo todo – o chamado do herói ou heroína.

Segundo o palestrante, seguir sua maior dor, suas angústias e frustrações é um caminho de transformação para o indivíduo, pois a consciência não se altera por inércia É a partir de uma dada tensão que o inconsciente pode irromper novos conteúdos, promovendo ajustes/flexiblizações no ego.
O amor por um indivíduo não é, portanto, uma escolha. Ele acontece quando menos se espera, ele te “rouba”. Os trovadores compreenderam que, ainda que a angústia e a dor faça parte do amor, é nele e por ele que a vida se torna plena.

Uma relação, portanto, exige sacrifícios – lembrando-se que a raiz etimológica desta palavra remete a sacro, sagrado. Para Gorayeb, as relações são como a vida, ou seja, devemos aceitar as situações com suas tensões e escolher uma verdadeira participação perante os chamados: “Sem tensão não existe morte e renascimento”.

Com a abertura para a roda de bate papo os participantes questionaram os relacionamentos amorosos de Jung e de Campbell. 

Joseph Campbell foi casado com a dançarina e coreógrafa Jean Erdman e por meio de seus relatos demonstrava ter um casamento sólido e “ideal”. Gustav Carl Jung se uniu a Emma Jung, cuja parceria intelectual e prosperidade financeira foi em grande parte um dos pilares de seu sucesso como psicoterapeuta.  Entretanto, Camilo lembra que os relacionamentos são únicos e que não há como saber ao certo como eles eram, já que os relatos são parciais e fragmentados. Em tempo: ao seu lado na palestra estava a sua companheira, a também psicóloga Michelle G. Santos.

Por Vanessa Heidemann


Para conhecer um pouco mais do trabalho de Camilo Ghorayeb acesse os links:
Academia de Psicologia Cultural

quinta-feira, 23 de maio de 2019

6/7 - Encontro de outono de 2019: A questão dos relacionamentos


Tristão e Isolda, de Edmund Blair Leighton


É com satisfação que convidamos para nosso primeiro encontro de 2019, que será realizado no sábado 6/7, a partir das 14h. Este ano trataremos da questão dos relacionamentos.

We are pleased to invite you to join our Fall  JCF Mythological RoundTable®, which will be held on July 6th, 2019, at 2pm. This year we will address the issue of relationships.

Nosso palestrante será Camilo Ghorayeb, mestre em Psicologia Profunda pela Pacifica Graduate Institute e professor na Associação Palas Athena, onde ministra cursos que criam pontes entre as obras de Joseph Campbell e Carl Jung, autores que o acompanham desde a adolescência. Ghorayeb também é professor convidado no curso de especialização em psicologia analítica pela Unicamp e no curso de formação de analistas Junguianos pelo IPAC, além de professor de Medicina Tradicional Chinesa. Também é coeditor e coautor do livro "A tribute to James Hillman: A Renegade Psychologist", coautor nos livros "Tributo a James Hillman", "Geografia em Extensão e Pacifica Graduate Institute: an Alumni tribute to 40 Years of tending the soul in and of the world".


Our keynote speaker will be Camilo Ghorayeb, MA in Deep Psychology by the Pacifica Graduate Institute and lecturer at the Palas Athena Association, where he conducts courses on the works of Joseph Campbell and Carl Jung, authors who he studies since adolescence. Ghorayeb is also a guest lecturer in the specialization course in analytical psychology at Unicamp and in the training course of Jungian analysts at IPAC, as well as a instructor of Traditional Chinese Medicine. He is also co-editor and co-author of "A Tribute to James Hillman: A Renegade Psychologist," co-author of "Tribute to James Hillman", "Geography in Extension and Pacifica Graduate Institute: an Alumni Tribute to 40 Years of Tending the Soul in and of the world ".

A leitura sugerida para se preparar para o encontro é o capítulo 7 (Histórias de amor e matrimônio) do livro O Poder do Mito (Palas Athena).

The suggested reading for the meeting is Chapter 7 (Stories of Love and Marriage) of the book The Power of Myth (Pallas Athena).

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

The event is free of charge, but we request the donation of one kilo of non-perishable food per participant to the parish.

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 16h30. 

Also be welcome to bring fruits and other healthy food or juices to share in the community closing gathering, held at 4:30 p.m.


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Venue: Santo Antonio Parish (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 of the Raposo Tavares Highway, direction São Paulo> Cotia) Access by José Félix de Oliveira Street (Entrance by the office located on the side of the church, in front of Banco Bradesco). 

Abraços/Best

Monica Martinez, South American Coordinator
Joseph Campbell Foundation Mythological RoundTable® Program
Director, JCF Mythological RoundTable® Group of Granja Viana, Brazil

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Relato do Encontro de Primavera da Granja Viana-SP Brazil JCF Mythological RoundTable®

Agora eu era o herói
Eu enfrentava os batalhões
Agora eu era o rei
Era bedel e era também juiz
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?
João e Maria, Chico Buarque (Link)

Por Vanessa Heidemann

O encontro de primavera de 2018 do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell aconteceu no sábado, 29 de setembro.

A partir da leitura da obra Rei, guerreiro, mago e amante: a redescoberta dos arquétipos do masculino, de R. Moore e D. Gillette, o palestrante convidado Marcos Lima, da CF Mythological RoundTable® de Paris, falou sobre a relação entre os quatro arquétipos com personagens encontrados na ficção, principalmente nos personagens de Game of Thrones.

Brasileiro, Marcos vive na França e estuda a obra campbelliana há mais de 30 anos. Atualmente é diretor do Programa de Mestrado em International Marketing and Business Development na Skema Business School, trabalhando entre Lille e Paris.

Sua fala foi possível graças à inovação do grupo, que pela primeira vez recorreu ao uso da tecnologia (Skype) para romper a barreira do espaço, proporcionando, apesar do fuso horário, um encontro em tempo real.


O encontro aconteceu por intermédio da tecnologia, unindo Brasil e França.



Do outro lado do Atlântico, Marcos inicia sua fala promovendo a seguinte provocação: "Onde estão, afinal, os homens maduros?".


Tomando como base a obra de Moore e Gillette, o palestrante afirma que foram poucos os homens plenos ao longa da história da humanidade. Perante os estágios imaturos e maduros do masculino, é o imaturo que predomina. Assim, segundo ele, o patriarcado ainda é dominante no âmbito da família, da religião e da sociedade.

Marcos compreende a ausência de ritos de passagens, que nas sociedades primevas tinha a função de transformar a psique dos garotos em adultos, como um dos fatores que dificultam a construção do masculino pleno na contemporaneidade.

Ele cita o exemplo das Cavernas de Lascaux, na França, onde os meninos que participavam dos ritos saiam “transformados” psicologicamente em homens.

Desenhos encontrados nas paredes das Cavernas de Lascaux, França

Assim, o patriarcado na verdade seria formado por homens com psicologia de menino. Daí temeria tanto o lado feminino quanto o masculino, interferindo no desenvolvimento – e em muitos casos sofrimento – de ambos.

No entanto, esse masculino infantilizado ou imaturo não deve desaparecer por completo no homem pleno. Isso porque o lado criança do arquétipo desenvolve pontes importantes psique do homem maduro, como as ligadas aos processos criativos.

Quando essa transição da fase imatura para a adulta não ocorre de forma integral, as representações arquetípicas podem se expressar por meio de sua contraparte sombria. Assim, de acordo com os autores, um homem que fique estacionado no arquétipo do herói pode apresentar sua polaridade negativa, tornando-se um herói sádico, vilão, exibicionista ou covarde.

Para que um homem se torne pleno, ele precisaria buscar desenvolver em alguma medida esses quatro arquétipos principais que carrega dentro de si (Rei, Guerreiro, Mago e Amante). Como exemplo de homem pleno, Marcos cita o Super-Homem, que superando suas sombras consegue se tornar completo. Ele tem o poder de organização e de cuidar e abençoar seu mundo do Rei, exerce a ação do Guerreiro, tem a inteligência do Mago e a amorosidade do Amante.

Ele lembra que desenvolver a plenitude é muito difícil, seja nos aspectos masculino ou feminino – embora no primeiro caso talvez seja ainda mais complicado pela falta de um marcador biológico. Isso porque as meninas são transformadas fisiologicamente em mulheres a partir do primeiro ciclo menstrual, enquanto falta aos meninos um evento físico que proporcione essa passagem.

Os questionamentos e conversas seguiram durante o lanche de encerramento, demonstrando como o tema é inquietante e atual.

Clique aqui para visualizar os slides desenvolvidos pelo pesquisador. Caso não abra, você pode ir diretamente para https://drive.google.com/open?id=1u46oVDWDdTJxKhTopfYKiTntVHYoSywk

A fala de Marcos Lima pode ser acompanhada no Youtube , estando disponível no link https://youtu.be/-hFyiWa4CG4





terça-feira, 18 de setembro de 2018

29/9/2018: Encontro de Primavera da Granja Viana-SP Brazil JCF Mythological RoundTable®





É com satisfação que convidamos para nosso segundo encontro de 2018, que será realizado no sábado 29/9, a partir das 14h. 

We are pleased to invite you to join our Summer JCF Mythological RoundTable®, which will be held on September 29th, 2018, at 2pm. 

O palestrante será Marcos Lima, membro da JCF Mythological Roundtable® de Paris e estudioso há mais de 30 anos da obra campbelliana. Graduado em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lima tem mestrado em Gestão da Inovação  e doutorado em Comunicação. Atualmente, é diretor do Programa de Mestrado em “International Marketing and Business Development” na Skema Business School, trabalhando entre Lille e Paris, na França.

The keynote speaker will be Marcos Lima, a member of the JCF Mythological Roundtable® in Paris and a scholar for over 30 years of Campbell's work. Graduated in Business Administration from the Federal University of Bahia (UFBA), Lima holds a master's degree in Innovation Management and a PhD in Communication. He is currently Director of the Master's Program in International Marketing and Business Development at Skema Business School, working between Lille and Paris in France.
Neste encontro, continuaremos abordando o tema do masculino na contemporaneidade.

Clique aqui para ler o texto recomendado para leitura prévia ao encontro.


MOORE, R.; GILLETTE, D. Rei, guerreiro, mago e amante: a redescoberta dos arquétipos do masculino. Rio de Janeiro: Campus, 1994.

Click here to go to the reading suggested for the meeting.

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

The event is free of charge, but we request the donation of one kilo of non-perishable food per participant to the parish.

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 16h30. 

Also be welcome to bring fruits and other healthy food or juices to share in the community closing gathering, held at 4:30 p.m.


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Venue: Santo Antonio Parish (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 of the Raposo Tavares Highway, direction São Paulo> Cotia) Access by José Félix de Oliveira Street (Entrance by the office located on the side of the church, in front of Banco Bradesco). 

Abraços/Best


Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Granja Viana-SP (Brasil)*

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Relato do encontro de primavera, com André Mendes, sobre o masculino e o contemporâneo

Ritual de passagem de uma tribo da Papua Nova Guiné (Foto: Timothy Allen)

Por Vanessa Heidemann



No dia 24 de abril de 2018, o Núcleo Granja Viana – SP da Fundação Joseph Campbell promoveu o primeiro encontro do ano.

Durante 2017, o grupo se dedicou aos estudos voltados ao sagrado feminino, utilizando como base a obra Deusas: Os Mistérios do Sagrado Feminino, de Joseph Campbell (Editora Palas Atenas, 2015). Em 2018, os encontros possuem como proposta promover reflexões em torno do masculino, sobretudo diálogos relacionados à sua presença e representações na atualidade.

A masculinidade no contemporâneo foi o tema proposto para o primeiro encontro, que contou com a fala do psicólogo André Mendes. André estudou durante o mestrado a relação da individuação e a sociedade, e também desenvolveu estudos relacionados às questões de grupos com profissionais do sexo (travestis). A partir do texto O Sistema de valores do grupo local (CAMPBELL, 2013, p. 82-104) e do pensamento do pai da psicologia analítica, Gustav Carl Jung (1875-1961), o convidado apontou a dificuldade de se discutir o tema. Primeiramente, André levanta a questão do que podemos compreender como sendo o masculino, e segundo, o que compreendemos como contemporâneo.

Para o psicólogo, a partir da perspectiva de Campbell, podemos compreender que o masculino é uma construção cultural, ou seja, uma construção inserida em um contexto específico (tempo-espaço). Já em relação ao contemporâneo, o palestrante afirma que a dificuldade em defini-lo está no fato de que nós mesmos estamos inseridos nele, o que influencia a nossa compreensão acerca dos fenômenos ao nosso redor. 

Apesar da complexidade, o convidado afirma que esta é uma temática importante e emergente, pois é frequente em seu consultório homens e mulheres questionarem seus papéis na sociedade, suas identidades de gênero, sua orientação sexual e como exercer o feminino e o masculino no cotidiano. O homem perante as transformações sociais tem questionado qual o seu papel na sociedade e como exercer uma masculinidade que não é mais dada por meio de ritos de passagens.

Utilizando o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), André problematiza: “Nós podemos estabelecer um conceito para uma série de fenômenos?”, “Podemos chegar a uma definição única do que é o masculino?”. Nietzsche defendia que os conceitos fechados são falsos, pois estes se transformam no decorrer do tempo, portanto para definir conceitos o ser humano deveria utilizar uma linguagem poética, metafórica. Um conceito metafórico ao invés de fechar/limitar serviria para expandir a compreensão acerca dos fenômenos.

Surgem então alguns novos questionamentos: “O que a nossa cultura faz com o masculino?”, “Temos rituais que possibilitam uma construção do masculino?”, e ainda, “Nossa cultura possui rituais?”. O palestrante afirma que apesar de aparentemente em desuso, o ritual é uma experiência importante para os seres humanos e permanece presentes em nosso cotidiano, mesmo que de forma discreta. Seja em um ritual particular de preparar uma sala para estudar, uma formatura ou o réveillon. Os rituais de âmbito coletivo, como as formaturas, são capazes de gerar uma transformação psíquica. André, que também é docente, relata que alunos dos cursos de graduação se sentem muitas vezes inseguros em relação às suas futuras vidas profissionais. Ocorrem casos de alunos que repetem uma disciplina propositalmente por não se sentirem capazes. Entretanto, após vestirem as indumentárias (beca e chapéu) para o ritual de formatura e receberem um canudo (muitas vezes vazio), saem transformados, pois a formatura enquanto ritual é capaz de canalizar a energia psíquica da pessoa, promovendo uma transformação.


Muitas vezes os rituais de passagem não são agradáveis, como as primeiras relações sexuais que os garotos eram obrigados a passar por influência e interferência do pai, tios, primos mais velhos e assim por diante. Na atualidade, entretanto, os papéis do masculino não estão demarcados e dados pela sociedade, não são tão rígidos como antes. Como o psicólogo afirma: “O indivíduo precisa elaborar isso, pois não está dado pelo coletivo”.

Para André, apesar de haver uma busca para expressar as questões do masculino e feminino em homens e mulheres na atualidade, a nossa sociedade não facilita esse processo.

O que a nossa cultura faz com o masculino?
Aberto o debate para os presentes, surgiram questões relacionadas a gênero, transexualidade, a problemática (ou não) de usar banheiro unissex, a grande demanda de casos em consultórios dos psicólogos presentes no encontro e as dificuldades em lidar com tantas possibilidades que a sociedade contemporânea permite relacionadas ao tema.

Ficou constatado entre os presentes que estudos sobre o masculino são pouco divulgados e/ou inexistentes, e que se nos afastarmos do machismo compreenderemos que tanto o masculino quanto o feminino exercem, na visão de Mendes, funções enquanto potência. Ambos se complementam, seja em uma complementaridade exterior (social), seja em uma complementaridade do indivíduo em seu processo de individuação.  Um assunto, sem dúvida, que seguirá palpitante no próximo encontro, a ser realizado em agosto do segundo semestre, em data a ser definida em breve.





quarta-feira, 4 de abril de 2018

28/4/2018: Encontro de Outono da Granja Viana-SP Brazil JCF Mythological RoundTable®



É com satisfação que convido para nosso primeiro encontro de 2018, que será realizado no sábado 28/4, a partir das 14h. 

We are pleased to invite you to join our Spring JCF Mythological RoundTable®, which will be held on April 28th, 2018, at 2pm. 

No ano passado estudarmos a questão do feminino na atualidade, por meio da obra Deusas: o mistério do divino feminino (Editora Palas Athena).  Em 2018, daremos prosseguimento e nos dedicaremos ao estudo da questão da masculinidade na contemporaneidade.

In 2017 we are focused on women studies via the latest Joseph Campbell´s book translated to Portuguese in Brazil: Goddesses: mysteries of the divine feminine (Palas Athena Publisher). For 2018, we continue gender discussions towards the masculinity issue in the contemporaneity.

O palestrante será o psicólogo André Mendes. Graduado em Psicologia pela Universidade de São Paulo (2002), ele tem mestrado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela mesma instituição (2005). Como professor, atuou no Centro Universitário São Camilo, lecionando disciplinas como Jung e a Psicologia Analítica, bem como Mitologia Junguiana do Cuidador e Psicologia da Religião.


The keynote speaker will be the psychologist André Mendes. He holds a MA in Human Development Psychology (University of Sao Paulo) and is an specialist in Analytical Psychology. Mendes is a former lecturer at the Centro Universitário São Camilo, where he has conducted the courses “Jung and the Analitical Psychology, as well the Mythology of the Care holder and Psychology of Religion.

Clique aqui para ler o texto recomendado para leitura prévia ao encontro, do livro de Joseph Campbell Máscaras de Deus: mitologia primitiva (Palas Athena, 2010).

Click here to go to the reading suggested for the meeting (Campbell, J. Masks of God: primitive mythology: Palas Athena, 2010).

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

The event is free of charge, but we request the donation of one kilo of non-perishable food per participant to the parish.

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 16h30. 

Also be welcome to bring fruits and other healthy food or juices to share in the community closing gathering, held at 4:30 p.m.


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Venue: Santo Antonio Parish (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 of the Raposo Tavares Highway, direction São Paulo> Cotia) Access by José Félix de Oliveira Street (Entrance by the office located on the side of the church, in front of Banco Bradesco). 

Abraços/Best


Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Granja Viana-SP (Brasil)*



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Feliz Natal e Próspero Ano Novo/Merry Christmas and a Happy New Hear




É com alegria que realizamos este ano os nossos quatro encontros anuais, debatendo o livro "Deusas, os mistérios do divino feminino", de Joseph Campbell.

Em 1o. de abril tivemos a oportunidade de ouvir Leda Maria Pirillo Seixas, professora do curso de Psicologia da Faculdade de Ciências da Saúde (PUC-SP), que nos lembrou que abordar as noções de masculino e feminino em nossa sociedade continua sendo tarefa complexa.  Clique ali para ler o texto

Em 17 de junho, conhecemos o trabalho sobre patriarcado, matriarcado e alteridade da psiterapeuta Ana Maria Galrão Rios (PUC-SP), que nos encantou com seus estudos sobre o feminino por meio da representação da imagem divina nos desenhos infantis. Clique aqui para ler o texto. 

Em 19 de agosto de 2017, aprendemos com Maria Cristina Mariante Guarnieri (Ijep) que as imagens arquetípicas podem ser compreendidas como retalhos de uma mesma colcha, a do inconsciente coletivo, e que os mitos são as bases de nossa estrutura psíquica.  Clique aqui para ler o texto. 


Finalmente, em 25 de outubro, ouvimos Robert Walter, presidente da Fundação Joseph Campbell, dos Estados Unidos, que nos fez entender melhor o trabalho das roundtables no contexto da JCF. "Como os cavaleiros da távola redonda, vamos em direção aos desafios cotidianos e é bom ter um local para retornarmos e contarmos nossas aventuras", disse ele, referindo-se à importância da rede de roundtables à que a da Granja Viana está conectada. Clique aqui para ler o texto


Depois de um ano tão rico, chega o momento agora de pararmos para celebrar uma das mais importantes tradições do mundo cristão, o Natal, ou das festas de final de ano para quem não segue esta tradição, e, assim, recarregar as baterias para 2018. 

Que ele seja de muita bliss e bless para todos!

Com um abraço forte e até 2018!


Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Núcleo da Granja Viana-SP (Brasil)*
http://fundacaojosephcampbell.blogspot.com
https://www.facebook.com/groups/177343475613567