quarta-feira, 14 de setembro de 2016

3/12 - 14h - Encontro de Primavera do Núcleo Granja Viana-SP da Fundação Joseph Campbell


Nosso quarto encontro de 2016 será realizado no  sábado 3/12, a partir das 14h. Ele será dedicado às raízes indígenas da mitologia e cultura brasileiras, com palestra dos Profs. Dr. Mário Ramão (Avañe´e). 

Filho de mãe guarani, Mário Ramão Villalva Filho é professor de Língua e Cultura Guarani na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), desde 2012. Mestre em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo, tem especialização em Educomunicação pela ECA/USP (1992), com enfoque em comunicação comunitária e cultura guarani. 

Almir da Silveira é professor de língua e cultura guarani no curso de extensão cultural do Centro Ángel Rama da FFLCH/USP. Especialista no ensino de línguas há mais de 20 anos, atualmente é professor no curso de Letras da Uniesp - campus Vargem Grande Paulista.

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 16h30. 


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Núcleo da Granja Viana-SP (Brasil)*
http://fundacaojosephcampbell.blogspot.com
https://www.facebook.com/groups/177343475613567

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Relato do Encontro de Inverno: as raízes árabes da mitologia brasileira



Como parte da proposta para 2016 do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell, que visa dialogar sobre as diferentes raízes da mitologia brasileira, o Encontro de Inverno contou com a palestra de Paulo Daniel Elias Farah, apresentando as influências da cultura árabe no Brasil.
Farah é graduado (Língua e Literatura Árabe), mestre (Linguística) e doutor (Letras) pela Universidade de São Paulo, sendo docente e pesquisador na mesma instituição, desenvolvendo estudos envolvendo Literatura, História e Cultura Árabe. Possui em sua produção bibliográfica o livro Deleite do estrangeiro em tudo que é espantoso e maravilhoso, entre outros.
O professor iniciou sua fala expondo um conceito que, embora elementar, por vezes pode ser visto de maneira errônea: a distinção entre árabe, uma etnia, e muçulmano (também islâmico), uma característica religiosa. Segundo Farah, árabe seria aquele que se vê como vinculado a um dos 22 países árabes (a saber, Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Comores, Djibouti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Palestina, Catar, Saara Ocidental, Síria, Somália, Sudão e Tunísia). Em seguida, o palestrante abordou os quatro principais momentos históricos de contato entre o Brasil e os povos árabes e/ou muçulmanos.
O primeiro momento seria já na colonização do Brasil, uma vez que os árabes estiveram presentes na Península Ibérica entre os séculos VIII e XVII, influenciando significativamente a cultura portuguesa. A influência mais conhecida estaria no próprio idioma, uma vez que, de acordo com Farah, mais de 3.000 palavras no idioma português tem origem árabe, dentre as quais se destacam as iniciadas em a ou al, como alface. Outra prova dessa influência estaria na literatura aljamiada, ou seja, obras literárias escritas em português, porém utilizando alfabeto árabe.
Menos conhecida do que a influência linguística seria a influência náutica. O palestrante apontou que o desenvolvimento português nessa área teria sido propiciado pelos muçulmanos. O motivo disso seria um dos pilares do islamismo, a peregrinação uma vez durante a vida à Meca (Hajj). Impulsionados por essa obrigatoriedade religiosa, os muçulmanos teriam alcançado inovações importantes na navegação. A própria expansão muçulmana à Península Ibérica também teria raízes na busca por conhecimento, um valor caro aos islâmicos, ilustrado por Farah pelo provérbio “movimento é bênção”.
O segundo momento seria entre o final do século XVII e o século XVIII. Nesse período, indivíduos da África foram trazidos para o Brasil como escravos, dentre os quais encontravam-se grupos muçulmanos. No Brasil, as pessoas escravizadas que eram letradas (onde se observa novamente a busca por conhecimento islâmica, em contraponto ao patamar de eduação vista no Brasil da época) ficaram conhecidas como Malês.
Embora a origem do termo ainda seja objeto de debate, Farah se situa no grupo que defende o termo como oriundo de uma tradução de Mestre, tendo em vista o alto nível de letramento desses indivíduos em relação à média dos brasileiros do período. Apesar de não haver liberdade religiosa no Brasil na época, onde a religião oficial do império era o Catolicismo, os Malês mantinham a religiosidade islâmica em segredo. Isso porque, como apontou Farah, “não é possível desvincular conhecimento de espiritualidade, segundo algumas linhas do Islã”.
Além de influenciarem nas vestimentas brancas  ̶  até hoje associadas às tradições religiosas ligadas aos afrodescendentes  ̶, os muçulmanos tornaram popular (mesmo por parte da população brasileira cristã da época) o uso de patuás (também chamados gris-gris ou quadrados mágicos). Farah observou também o Levante dos Malês, ocorrido em 1835 em Salvador, tido como a “maior revolta da história em contexto urbano”. Como legado do levante, os malês teriam suscitado o debate às questões de igualdade e justiça social no Brasil.
No final do século XIX teria ocorrido o terceiro movimento, com uma migração de árabes para o Brasil. Evidencia-se aqui o termo árabe, e não muçulmano, uma vez que a população que migrou para o Brasil nesse período era essencialmente cristã. Isso, de acordo com Farah, reflete no dado de que hoje, dos cerca de 16 milhões de árabes que vivem no Brasil, somente cerca de 10% são muçulmanos.
Embora D. Pedro II tenha feito duas viagens ao Oriente Médio na época (1861 e 1876), Farah desmente o “mito do Brasil acolhedor” nesse caso, uma vez que, ao contrário das migrações européias da época, os árabes vinham para o país sem subsídios nem contratos de trabalho previamente arranjado. De toda forma, a primeira visita de um imperador latino-americano a países como Egito, Síria e Líbano teve grande repercussão nos jornais locais da época, tendo implantado no imaginário dos povos árabes a semente de uma terra farta, onde se plantando tudo se colhia.
Atualmente, vivemos o quarto movimento, com os recentes fluxos de refugiados que se intensificou nos últimos cinco anos. O Brasil acolhe atualmente cerca de 20 mil refugiados de mais de 30 nacionalidades diferentes, sobretudo sírios e congoneses. Contou sobre seu trabalho envolvendo essas pessoas na Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul – Países Árabes – África (https://bibliaspa.org/), com diversas atividades envolvendo a integração de refugiados no país.
Após sua fala, grande parte do diálogo com os participantes envolveu as questões do feminino no mundo árabe e islâmico, tema que antecipa a proposta de 2017 para o Núcleo, que pretende debruçar-se sobre a última tradução de Campbell para o português, o livro Deusas: Os Mistérios do Divino Feminino, lançado em 2015 pela Palas Athena.

Tadeu Rodrigues

sexta-feira, 3 de junho de 2016

20/8 - 14h - Encontro de Inverno do Núcleo Granja Viana-SP da Fundação Joseph Campbell




Nosso terceiro encontro de 2016 será realizado no  sábado 20/8, a partir das 14h. Ele será dedicado às raízes árabes da mitologia e cultura brasileiras, com palestra do Prof. Dr. Paulo Daniel Elias Farah, professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos Judaicos e Árabes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. 

Paulo Daniel Elias Farah tem graduação em Língua e Literatura Árabe pela Universidade de São Paulo, com mestrado e doutorado pela mesma instituição. É docente e conduz pesquisas nas áreas de Literatura, História e Cultura árabes. É autor de "Deleite do estrangeiro em tudo o que é espantoso e maravilhoso", entre outras obras e traduções de livros do árabe para o português. É diretor da Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul-Países Árabes-África (Bibliaspa),  que congrega acadêmicos, oferece cursos de idiomas e intensa programação ligada à cultura árabe.   

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 16h30. 


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Núcleo da Granja Viana-SP (Brasil)*
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domingo, 15 de maio de 2016

O relato do encontro de outono de 2016: as raízes celtas da mitologia brasileira


A palestrante Patricia de Aquino com os membro da Roundtable

Encantadora a palestra "O folclore e a mitologia celta irlandesa e as relações com o Brasil", ministrada por Patricia de Aquino, doutoranda em literatura irlandesa contemporânea pelo Programa de Estudos Linguísticos e Literários do Inglês pelo Departamento de Letras Modernas da Universidade de São Paulo (DLM/USP).

A expansão dos povos celtas
A princípio, a estudiosa abordou as raízes dos celtas, povo da família linguística indo-europeia originário da região da Boêmia, hoje formada pela Áustria, República Tcheca e Romênia. “Os povos celtas não são nórdicos, germânicos nem eslavos”, explica Patrícia.



O alfabeto Ogham
O termo celta deriva de Κελτοί – em grego povo estrangeiro ou secreto, talvez em relação à sua religião – referência atribuída pela primeira vez pelo historiador grego Hecateu de Mileto no século VI a.C.. “Segundo os gregos e romanos, tratava-se de um povo de pele, olhos e cabelos claros, jovial, hospitaleiro e cheio de si, que gostava da caça, de banquetes, tinha uma religião que lhes parecia secreta (o druidismo) e tradição oral – não desenvolveram muito a escrita, salvo o alfabeto Ogham, que pode ser encontrado em monumentos antigos e cuja palavra remete ao deus da Comunicação”, diz Patricia, que integra a Cátedra de Estudos Irlandeses W.B.Yeats/USP. 

A descrição do povo, naturalmente, remete ao seu mais famoso representante contemporâneo, Ásterix, o gaulês, célebre série de histórias em quadrinhos criada na França por Albert Uderzo e René Goscinny em 1959. Ásterix foi inspirado em um grande chefe guerreiro, Vercingetorix, líder da revolta gaulesa contra os romanos em 53 a.C.-52 a.C..


A Gália Cisalpina e o norte da Itália
O povo celta era constituído por várias tribos − bretões, gauleses, batavos, belgas e caledônios, entre outros − que começaram a se espalhar pelo Oeste da Europa no neolítico, ao redor do terceiro milênio a.C.. Uma parte importante de seu território se constituía na Gália, que compreende o atual território da França, além de partes da Bélgica, da Alemanha e do norte de Itália (Gália Transalpina e Cisalpina, isto é, aquém dos Alpes), em especial a Lombardia ocidental (os ínsubres, no que hoje é a região de Milão) e central (os oróbios, em Bérgamo). O auge da cultura foi ao redor de 500 a.C..


Bardos: os narradores da tribo
Como sabemos pela representação de Uderzo e Goscinny, o povo celta era bom de briga – a Gália sempre foi uma dor de cabeça para o Império romano. Havia uma estrutura tribal definida, embora os celtas não fossem particularmente ligados à noção de autoridade – os chefes eram apenas um membro da tribo que ocupava aquela posição no momento. Talvez mais conhecidos – ao menos nas representações midiáticas – eram os sacerdotes (os druidas) e os historiadores oficiais (os bardos), classes que realizavam convenções anuais para comunizar seus saberes, como as conferências contemporâneas. Em termos de relações de gênero, tratava-se de uma cultura igualitária. “As mulheres podiam assumir qualquer posto, sendo bardas e guerreiras”, explica Patrícia, que desenvolve sua pesquisa de doutorado especificamente sobre os celtas da Irlanda sob orientação da Prof. Dra. Laura Izarra.

Celtas na Irlanda
Com o avanço dos romanos, os celtas foram gradualmente migrando para as franjas do império, como a celta ibérica (Portugal e Espanha, caso da região formada hoje por Galícia e países bascos), extremo oeste da Inglaterra (Ilha de Man, País de Gales e Cornualha, terra do mítico rei Arthur), Escócia e Irlanda.

Um dos locais mais propícios para se observar esta cultura é sem dúvida a Irlanda,
As datas festivas celtas
especialmente no sul do país. Segundo Patrícia, em um antigo mito de criação, os irlandeses atuais descendem dos Tuatha de Danaan (os filhos da deusa Danu), o quinto dos seis grupos de habitantes da Irlanda. Ao chegarem, teriam encontrado três filhas da deusa Dagda na praia: Fodla, Banba e Eire, desta última teria surgido o novo nome do local, Eire Land, Ireland. Eles teriam chegado ao primeiro dia de maio, até hoje uma das maiores celebrações celtas, o dia de Beltane, exatamente na metade entre o equinócio da primavera e o solstício de verão, marcando o retorno da estação quente.

As árvores consideradas sagradas
Das tradições irlandesas, destacam-se as fadas, que seriam os descendentes dos povos originários, os Tuatha de Danaaan, especialmente em relação com suas moradas, três árvores das mais sagradas: o carvalho (oak ou Quercus sp.), o freixo-europeu (ash ou Fraxinus excelsior) e o abrunheiro (blackthorn ou Prunus spinosa). Como as fadas irlandesas contêm o lado bom, mas também o mau, por via das dúvidas até hoje os irlandeses preservam estas três espécies de árvores, quando nascidas espontaneamente. Da mesma família, há fadas que vivem no mar e o leprechaun, um homenzinho sapateiro das fadas.


Outra relação contemporânea importante diz respeito ao Halloween, cada vez mais
As lanternas de nabo irlandesas
comemorado no Brasil a partir da experiência estadunidense. Contudo, lembra Patrícia, o Halloween ou Samhain (lê-se soen) é o mais importante festival irlandês, pois marca o fim do verão e, por extensão, o ano novo celta. Segundo esta tradição milenar, no dia 31 de outubro abrem-se os portais entre o mundo material e o mundo espiritual, permitindo o encontro entre luz e trevas, entre vivos e mortos. “É quando ocorre a integração de forças naturais e sobrenaturais”, conta a diretora da ABEI – Associação Brasileira de Estudos Irlandeses. As hoje abóboras (tradição estadunidense) e nabos entalhados (irlandesa) são na verdade proteções contra as almas errantes. 




Cruz celta
Nenhuma palestra sobre folclore irlandês estaria completa sem menção ao trevo. Diz a lenda que o shamrock, em inglês, ou seamróg, em irlandês (Trifolium repens) teria sido usado por São Patricio (387-461) para explicar o conceito da Santíssima Trindade aos irlandeses. Há quem diga que, na verdade, teriam sido os monges irlandeses medievais que teriam usado a plantinha para explicar aos cristãos o conceito celta da triplicidade. Seja como for, o fato é que o diálogo permitiu a coexistência mais ou menos pacífica entre as duas tradições, um exemplo louvado até hoje, entre uma cerveja Guiness e outra, pelos irlandeses.





Texto: Monica Martinez

Bibliografia
GANTZ, J. Early Irish Myths and Sagas. London: Penguin Books, 1981.
GREGORY, Lady. Visions and Beliefs in the West of Ireland. Norfolk, Colin Smyth, 1920.
GREGORY, Lady. Complete Irish Mythology. London: Bounty Books, 1994.
FOSTER. R.F. The Oxford History of Ireland. Oxford: Oxford University Press, 1989.
YEATS, W.B. Irish Fairy and Folk Tales. New York: The Modern Library, 2003.
YEATS, W.B. The Celtic Twilight. Charleston: Bibliobazar, 2008.

terça-feira, 10 de maio de 2016

14/5 - 14h - Encontro de Outono do Núcleo Granja Viana-SP da Fundação Joseph Campbell



Nosso segundo encontro de 2016 será realizado no próximo sábado, 14/5, a partir das 14h. Ele será dedicado às raízes celtas da mitologia e cultura brasileiras, com palestra de Patrícia de Aquino sobre "O folclore e a mitologia celta irlandesa e as relações com o Brasil". 

Patricia de Aquino é doutoranda em literatura irlandesa contemporânea pelo Programa de Estudos Linguísticos e Literários do Inglês pelo Departamento de Letras Modernas da Universidade de São Paulo (DLM/USP), desenvolvendo pesquisa sob orientação da Prof. Dra. Laura Ibarra. É membro da Associação Brasileira de Estudos Irlandeses (ABEI). 

O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento, realizado às 16h30. 


Relembrando o local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Núcleo da Granja Viana-SP (Brasil)*
http://fundacaojosephcampbell.blogspot.com
https://www.facebook.com/groups/177343475613567

domingo, 13 de março de 2016

O relato do encontro de verão de 2016



Deus supremo da tradição iorubá, Orunmilá-Ifá: escultura em madeirado escultor Carybé (1911-1997),
em exposição no 
Museu Afro-BrasileiroSalvador,BahiaBrasil

A partir dos estudos culturais, o professor doutor Wilson Garcia discorreu com elegância e profundidade sobre as raízes africanas da mitologia brasileira, uma sombra da escravidão tragicamente ocorrida no país até 1888, mas um tema muito atual devido às novas levas de refugiados e deslocados forçados contemporâneos que chegam ao Brasil.

Docente permanente do Programa de Comunicação e Cultura da Uniso, mestre e doutor pela ECA-USP, Garcia baseou-se em referências como o livro Mitologia dos Orixás, do sociólogo paulista Reginaldo Prandi, e nas influências musicais da cantora baiana Virgínia Rodrigues, além da sua experiência pessoal no tema, para abordar os mitos africanos que se expressam, como alegorias, na tradição dos orixás.
O professor doutor Wilton Garcia

"O mito entreabre a porta, não escancara", ressaltou o autor de Corpo& espaço: estudos contemporâneos (São Paulo: Factash/Hagrado Edições, 2009), entre outras obras. "São 16 a 21 orixás, dependendo da tradição, mas de alguns não se fala. Na umbanda, por exemplo, como na religião cristã, há uma tríade, formada por Oxalá - senhor supremo -, Oxóssi - senhor das matas e florestas como a brasileira - e Iemanjá, a rainha do mar. Mas o Deus supremo é Orunmilá-ifá. Nós personificamos os orixás, mas ori quer dizer simplesmente semente, origem", explica.

Garcia apontou também uma importante distinção entre a tradição cristã e a africana. "Um santo, por exemplo, só tem um lado bom. Já os orixás possuem integradas em si energias boas e ruins". O estudioso das tradições africanas lembrou que Exu, apontado em algumas denominações como a encarnação do mal, na verdade expressa o primeiro orixá, aquele que abre os rituais e os caminhos. "Exu não possui em si, intrínseca, a noção de bem ou mal, o que depende do livre arbítrio e da ação do indivíduo", conta, recomendando o documentário A Dança das Cabaças: Exu no Brasil, sobre o tema.

Nesta função de mediação de mundos do orixá, outro trabalho que pode ser consultado é A imagem arquetípica do psicopompo nas representações de Exu, Ganesha, Hermes e Toth, uma interpretação da psicologia analítica sobre o tema.

Garcia finalizou o encontro recordando que o orixá é uma ponte com a qual estabelecemos nossa relação com o superior ou, como diz o mitólogo Joseph Campbell (1904-1987), com o transcendente. "O orixá age como um guia do caminho do sujeito", sintetizou. E o caminho, como diz o poeta, se faz pelo caminhador.

Por Monica Martinez


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

12/3 - 14h - Encontro de Verão do Núcleo Granja Viana-SP da Fundação Joseph Campbell



É com satisfação que convidamos para a 1a. Roundtable de 2016 do Núcleo Granja Viana da Fundação Joseph Campbell. 

Este ano, após a conclusão de quatro anos de estudos sobre a quadrilogia campbelliana Máscaras de Deus, abordaremos a mitologia brasileira.

O primeiro encontro será dedicado às raízes africanas. Ele será realizado em: 



Data: 12 de março (sábado)
Horário: das 14h às 17h


Local: Igreja Santo Antonio (Rua Santo Antonio, 486 (km 24 da Rodovia Raposo Tavares, sentido São Paulo›Cotia). Acesso pela Rua José Félix de Oliveira (Entrada pela secretaria localizada na lateral da igreja, em frente ao Banco Bradesco). Para ver no Google Maps, clique aqui

Palestrantes
Wilton GarciaPossui graduação (1992) em Letras pela PUC/SP; Mestrado (1997) e Doutorado (2002) em Comunicação pela ECA/USP; e Pós-Doutorado (2006) em Multimeios pelo IA/UNICAMP. Atualmente, é professor da FATEC-Itaquá/SP e do Mestrado em Comunicação e Cultura da UNISO. Como artista visual e pesquisador, trabalha com fotografia, internet, performance e vídeo, com experiência na área de arte, comunicação e design sobre estudos contemporâneos, ao investigar temáticas de consumo, corpo e imagem. 


O evento é gratuito, mas solicitamos a doação de um quilo de alimento não perecível por participante para o espaço paroquial. 

Leve também frutas, doces, salgados ou sucos para compartilhar no lanche comunitário de encerramento. 

A Joseph Campbell Foundation, com sede na Califórnia, nos pede para lembrar nossos membros que doações para manutenção deste programa mundial são bem-vindas. Para doar, acesse diretamente o site por meio do link http://www.jcf.org/new/contribute

Para aqueles que vierem pela primeira vez, recordo que o objetivo do grupo é o de estimular os estudos de mitologia e religião comparada a partir da perspectiva de Joseph Campbell (1904-1987), mitólogo estadunidense considerado como um dos maiores estudiosos dessa área no século 20.

Favor confirmar presença para o e-mail nucleogranjavianajcf@gmail.com até dia 10 de março. Como sempre, fiquem à vontade para encaminhar esse convite para outros interessados no tema, destacando apenas que devem confirmar presença previamente por meio do mesmo e-mail.

Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Núcleo da Granja Viana-SP (Brasil)*
https://www.facebook.com/groups/177343475613567/