domingo, 11 de agosto de 2013

Encontro de Inverno com Jorge Miklos

O historiador Jorge Miklos
“Nossas gavetas mentais de Ocidente e Oriente não funcionam para ler este texto”, disse o historiador Jorge Miklos na palestra que proferiu no dia 10 de agosto durante o Encontro de Inverno, a terceira Roundtable de 2013 do Núcleo Granja Viana-SP da Fundação Joseph Campbell. Nesta reunião, discutimos a parte III do livro As Máscaras de Deus -- Mitologia Ocidental (Editora Palas Athena). 

“É que este texto, que abrange mil anos de história – do período persa de 539 a.C a 331 a.C. à ascensão e queda do império romano, em 476 d. C. –, relata os trânsitos e os encontros das civilizações indo-europeia e semitas”, explica o vice-presidente da Comissão de História do Instituto Pan-Americano de Geografia e História (IPGH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), no Brasil. 

Num primeiro momento, o da expansão do império persa, nem Dário I, o grande (550 a.C. — 486 a.C., derrotado em Maratona em 490 a.C.), ou, dez anos depois seu filho Xerxes I (519 a.C. — ca. 465 a.C.), vencido na batalha de Salamina, conseguiriam dominar a Grécia.

Já durante os períodos do helenismo (331 a.C. a 323 d.C.) houve o que Campbell chamou de “casamento do Oriente com o Ocidente”, no sentido de ter havido uma forte expansão da cultura grega para o mundo oriental. “A verdade é que somos mais orientais do que supomos”, diz Miklos, que é doutor em Comunicação e Semiótica e mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP. 
Os 23 participantes do Encontro de Inverno de 2013

Um aspecto importante deste período de mil anos, na perspectiva das tradições indo-europeias,  é a tendência ao sincretismo religioso, tendo havido em geral mais tolerância por parte dos povos invasores com relação aos deuses cultuados localmente do que a imposição de seus próprios panteões de deidades. 

Neste sentido, a ênfase no monoteísmo seria uma tradição mais ligada aos povos semitas, até que o Constantino (2872 d.C. – 337 d.C), imperador  do Império Romano do Oriente, adotasse o cristianismo como religião oficial.
Lu Oliveira, a fotógrafa deste encontro

Outro aspecto destacado por Miklos é a nova visão do profeta Zoroastro, que teria vivido entre 1.000 a.C ou 500 a.C., que daria origem ao dualismo ético, no qual o mito da criação passa a ser explicado pela origem, seguida da queda – quando a escuridão e falsidade penetram no mundo – e posterior redenção. Isto porque nesta tradição mitológica duas forças contrárias – Ahura Mazda, da luz, e Angra Mainyu, das trevas – forjam e sustentam o mundo. Na visão de Zoroastro, essa divisão, que influenciou o judaísmo, o islamismo, o cristianismo e ainda influencia fortemente as crenças contemporâneas, tem um final feliz com a vitória de Mazda. Diferentemente das religiões de origem semita, não é o ser humano que desencadeia esta queda, não havendo, portanto uma culpa a ser carregada – e redimida.

Para acessar o habitual vídeo-resumo da palestra, clique aqui.  


Por Monica Martinez
Coordenadora da JCF Mythological Roundtable® Núcleo da Granja Viana-SP (Brasil)*
http://fundacaojosephcampbell.blogspot.com
www.facebook.com/monicamartinezbr

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